Amo Você...

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Pois é, amar acontece, é um susto, um cochilo, um

descuido e pronto, nos apaixonamos e está aberta a

temporada de: abobalhamento gratuito, felicidade flutuante

e desatenta, sensação de que só você e o bem amado são

habitantes do planeta “nas nuvens” e assim vai... (certeza

que você sabe como é). A gente se sente especialmente

especial, sortudo, amado e invencível.

Somente nessa fase é que as férias começam sem ter começado, assim como a perda de peso é mágica, a juventude revisita o corpo maduro, o sono vai embora, as preocupações evaporam, os inimigos desaparecem, as dívidas são esquecidas e o futuro se torna brilhante. 

Acho que quando Deus inventou a paixonite devia estar tendo uma daquelas conversas entre amigos em que cada um acrescenta um detalhe a mais numa coisa que já é engraçada e a conversa caminha até os dois estarem tendo acesso de riso.

Bom, mas vamos voltar a razão. Inclusive é isso o que também ocorre depois de um tempo em que essa condição circunstancial de vulnerabilidade com sensação de topo do mundo que a paixão causa. Na verdade nesse estágio começam as oscilações e começa a surgir a dúvida: E agora?! O que vou fazer com esse sentimento que, até segunda ordem, todos querem que dure para sempre?

Recobrando o uso da razão surgem as questões: amor da minha vida / será que devo me entregar totalmente = casar e ter 10 filhos?; somos totalmente compatíveis / será que os defeitinhos vão aumentar e se tornar inconvenientes?; nos completamos / mas somos meio que bem diferentes...  Será que opostos sempre vão se atrair? Enfim, exceto os muito jovens, todos sabemos que essa equação vai incorrer em questionamentos / ressalvas / desconfianças / críticas, ou seja, as operações não serão mais só de adição. Haverá, divisão, subtração, multiplicação, seno e coseno, saida pela tangente etc etc.

 

Maaas, amo, eu amo VOCÊ! Porque algo que só se lapida, cresce, amadurece e florece renovado com você. O amor é uma aventura da alma que se constrói: Primeiro nos apaixonamos por um local / terreno (um alguém), depois com capricho fazemos o projeto, iniciamos a obra que só dá dor de cabeça (a relação) e aos tropeços sobrevivemos a ela (DRs). Depois da construção, ainda é preciso limpar a sujeirada da obra (mágoas) enquanto aprendemos a usar os sistemas elétricos, hidráulico, fossa, (paixão, sentimentos, chatices...). Finalmente após tanta dedicação podemos pensar em decorar, plantar o jardim e começar a usufruir do aconchego do lar que vai brotando junto com as flores do jardim (conviver em harmonia, compreendendo, respeitando e amando um ao outro).

Como tudo que é construído precisa de manutenção, assim também é o amor. Mas isso fica para uma outra conversa ...

Por que me relaciono? Fiquei refletindo sobre o que poderia ser o propósito de se relacionar além do de perpetuarmos a espécie humana. E são tantos os motivos que nos levam a nos relacionarmos... Pode até parecer que são nossos sentimentos que nos movem em direção a alguém já que atualmente, especialmente no ocidente, existe uma maior liberdade de expressão. Mas o fato é que as relações humanas são estabelecidas com base num insondável mapa de causas e efeitos.

Os efeitos clássicos mais aparentes estão ligados aos nossos condicionamentos culturais, sociais, familiares e financeiros, que tem a ver com nossa nacionalidade, educação, status social, tipo físico e condição financeira. Mas mesmo esses fatores em geral passam desapercebidos, mas norteiam nossas ações e decisões sem que estejamos completamente conscientes da dimensão de sua influência.

Esses condicionamentos, por sua vez, agem sobre aspectos constitucionais pessoais, como nossa personalidade, predisposições biológicas e intelecto que se revezam em concordância ou dissonância entre sí. Assim, uma pessoa calma pode ter uma libido intensa e um raciocínio rápido enquanto outra pode ter um temperamento agitado enquanto sua fisiologia é mais branda e seu raciocínio bastante pragmático. São infinitas as possibilidades de combinações de padrões e consequentemente de mapas de nascimento.

Já as causas de nascermos e nos desenvolvermos nas circunstâncias em que nascemos e crescemos estão atreladas ao nosso histórico da alma. Esses registros ficam impressos no campo sutil e defínem o script de cada uma de nossas vidas de forma bastante dinâmica. É que o livre arbítrio, vida após vida, nos dá a chance de modelar e reconfigurar com mais ou menos consciência nossas escolhas e ações.

Para ficar ainda mais clara a extensão do mistério que regem as afinidades e aversões entre as pessoas existe ainda mais um fator, nosso histórico sutil. É que além de se relacionar com os históricos sutis dos outros, também estamos sujeitos ao histórico tanto local, quanto coletivo. Isso porque nascemos numa terra que carrega uma memória sutil. Podemos, por exemplo, nascer num local onde no passado existiu um campo de batalha ou sobre uma região de peregrinação; ou, ainda, num momento histórico de maior ou menor evolução, seja ela ética à tecnológica. Quer estejamos cientes ou não, somos direta e indiretamente afetados pelo grau de evolução em que a humanidade se encontra.

 

Portanto, básicamente nos relacionamos porque estamos numa sinfonía cósmica e terrena em que sóis nascem e morrem afetando a composição das galáxias que giram numa dança vibrante embalando planetas e estrelas que, com suas diferentes frequências de luz e magnetismo, influenciam nossa existência na Terra distribuindo o que plantamos no passado em nossa vida presente. Ufa! Um longo parágrafo para resumir a magnitude dessa engrenagem gigante que desencadeia e aciona nossos encontros e desencontros com pessoas que temos afinidades kármicas ou dívidas a serem equilibradas.

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Trocar x compartilhar - A ética do amor

por Prem Ramani

 

Seria justo cobrar o amor de alguém que não tem como oferecer o esperado em troca?

Seria ético querer algo em troca do amor que damos numa relação amorosa?

Como medir o quanto seria dar e receber de forma equilibrada?

 

O amor “romântico” se deleita no impossível, no infinito e no trágico. Como no livro Amor em tempos do cólera de Gabriel Garcia Marquéz, que tão bem narra uma estória de amor e explicita em que (des)medida o amor pode se enveredar.

Num outro patamar a poesia navega do visceral ao etéreo. Sem qualquer pudor ou limite ela culmina no êxtase místico dos grandes santos e sábios da humanidade que transcendem a razão e a lógica e se entregam ao absoluto numa perfeita comunhão.

Tantos percalços assolam o tortuoso caminho em direção ao desvendar do amor. Tudo se camufla de amor e ele próprio, naufraga desapercebidamente num mar de ilusões. Na urdidura da vida por onde as tramas tecem os encontros e desencontros raramente um ser suplanta o emaranhado de sentimentos tingidos pela ignorância humana. Apego, orgulho, egoísmo, ganancia e vingança, estão entre tantas outras fraquezas, que maculam as relações tornando-as desumanas. Ou seria mais correto dizer, lamentavelmente, tão humanas?

E o que nos resta então almejar do amor pungente, ou seria paixão? Que brota sorrateiro e repentino? Que sem jeito ao se expressar se desassossega, exagera, perde a linha, o rumo, a (paz)ciência e enlouquece no labirinto cruel do desamor. Ao ser incompreendido, rejeitado e abandonado, quem não busca num desespero velado um manual qualquer, um post, um filme, livro, panfleto, um bilhete de papagaio de praça, numa frase de biscoito chinês, encontrar ajuda, um socorro ou um norte para poder navegar até o porto seguro da compreensão e da solitude. Beber da fonte da compaixão e ser agraciado pela benção que é de fato perdoar não é tão corriqueiro quanto os adeptos do auto sugestionamento e técnicas esotéricas querem se doutrinar a acreditar.

No caldeirão da história, a ética e o profundo significado do amor se perderam em meio as múltiplas referencias religiosas, filosóficas e literárias. Muitas delas inclusive temperadas por crenças limitantes, preceitos e preconceitos que na prática estão bem distantes da união, humildade e da entrega autênticas. Cozidas pelo calor de modismos, ideologias efêmeras fazem com que os nobres ingredientes do amor evaporem ou sejam descaracterizados, limitando a poucos saborear sua verdadeira essência.

Ensaiamos amar enquanto ainda contabilizamos ganhos e perdas, dar e receber, perdoar e ser perdoado, compreender e ser compreendido. Mas enquanto uns passam a vida lutando contra as oscilações que surgem ciclicamente, outros abraçam a vida e as relações por inteiro com corajosa aceitação. A palheta que colore o universo é que dá os contrastes e matizes à aventura de desvendar a grandiosidade e profundidade do que pode ser amar de verdade uns aos outros.

Assim desnudos, quem acorda do sonho da separação, enxerga o singelo e o erudito, a brisa e a tempestade, o desfrute e o desapego, como um só fluxo contínuo de manifestações intercaladas das infinitas facetas do Divino em nossas vidas. Caminhar em direção à fonte inesgotável de amor nos possibilita caminhar ao lado de alguém pela vida afora respeitando sua liberdade de oscilar e de, inclusive, torcer para juntos de fato cada um se encontrar do seu jeito e ritmo. Compartilhar a existência com alguém de fato não é uma barganha de mercadores, mas sim um laboratório para realizar a alquimia da alma.

Prem Raman

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