Transmitir o conhecimento x dar um curso


Transmitir o conhecimento x dar um curso

Entendo que todos temos expectativas com relação ao que vamos aprender quando iniciamos um processo de aprendizagem, seja ele qual for. E é inevitável se perguntar e buscar aferir se a instituição é renomada, se os professores são bem capacitados, os módulos bem organizados, se há uma boa aprovação dos alunos etc... Isso sem falar no preço que vamos investir para adquirir aquele conhecimento que em geral já tem um uso pretendido, tipo vai servir para ...


Sei disso pois já fui professora, diga-se de passagem, pouco convencional, durante 20 anos, e na época, como empresária, criei uma metodologia de ensino personalizado. Mas como aprendiz, desde a adolescência sonhava encontrar o equivalente a um filósofo grego ou um Rishi para aprender com eles de verdade sobre a realidade de todas as coisas.


Mesmo assim, quando conheci meu mestre de astrologia védica, o querido e sábio Pandit ji, apesar de no fundo estar hiper entusiasmada, me sentindo agradecida e sortuda de tê-lo encontrado, fui meio utilitária, afoita, arrogante, impaciente, barganhadora... questionei até o conhecimento e o caráter dele! Enfim, fui eu no meu pior como aluna (e o que dizer como discípula...).


E ele?! Um mestre, simples assim! Não deu trela pra nada disso e garimpou o melhor de mim. Do jeito e na hora que ele sabia que era a certa, me agraciou com sua maneira doce, profunda e implacável de ensinar. Quando forçava a barra, ele elegantemente me deixava (fritando) de molho. Passava um bom tempo até eu baixar a bola, esquecer daquilo que eu queria por que queria saber, algumas fichas caírem, e só então, “do nada”, ele me chamar. E aí era o céu! Ele me dava um banho de pérolas do conhecimento por identificar, enfim, que eu estava no ponto para poder receber e introjetar o aprendizado com a predisposição mental adequada. Até hoje estou ordenando dentro de mim o vasto conteúdo das inúmeras horas que passamos em puro êxtase.


Num determinado momento, após já ter sido aceita e adotada pelo Pandit ji com discípula num formato tradicional chamado de Gurukula me dei conta: como é possível que ELE, que é literalmente o equivalente a um pós doc., livre docente, iniciado e 200% comprometido desinteressadamente com tudo e todos a sua volta, me aceite como receptáculo de todo o seu conhecimento!!! Mas sem que ele, do alto de sua estatura, diminuísse seu carinho e humildade como ser humano, foi me abençoando com períodos de semanas em que permaneci imersa na casa dele com toda sua família e o acompanhando por onde fosse.


Um dia, de repente, me deu um click. Eu não estava no controle do meu processo de aprendizagem. E não adiantava lutar contra isso. Inclusive, era crucial eu entender que ele é quem estava no comando, me ensinando milhões de coisas muitíssimo preciosas nas nossas horas “vagas”.


Após mais um tempo o Pandit ji, propositadamente foi saindo do meu caminho, à medida que ia cada vez mais me encorajando a buscar as respostas para as minhas perguntas internamente. No começo fiquei um pouco frustrada, pois coincidiu com o momento em que minhas perguntas se tornaram mais complexas ... e não se engane, ele tinha como responder cada uma delas sob vários ângulos e ainda recitar em sânscrito os slokas onde haviam citações sobre elas.


Entendi, bem mais tarde, que naquele momento eu tinha passado de ano. Pois a astrologia vêdica não é só lógica, teoria e síntese, ela é para aqueles que enquanto se esmeram nos estudar, abrem o coração e a intuição para o contato com o conhecimento direto da fonte, que no mais profundo é divina.

É só pela graça que nosso intelecto pode adentrar certos níveis de entendimento, e isso se aplica especialmente ao conhecimento chamado de tradicional, milenar, iniciático ou sagrado. Este tipo de sabedoria não se fabrica em livros ou cursos. Precisamos nos adequar individualmente para nos tornarmos ocos e assim permitir que esse tipo de conhecimento refinado e cheio de sutilezas chegue e passe através se nós.


Pois bem, é nesse espírito investigativo que entendo que certas coisas até podem ser ensinadas num curso formalmente estruturado. Inclusive, cresce cada vez mais o número de cursos que se propõem à rapidamente ferramentalizar e formar astrólogos védicos... Maaaas, tenho absoluta certeza que foi o amor do Pandit ji por mim e o meu por ele que possibilitaram ele me passar e eu continuamente receber, sem pressa, nem agenda, nem objetivo, o vasto conhecimento que ele também, merecidamente, herdou de seus mestres. Aprendi que esse conhecimento está à serviço da consciência coletiva e por ter chegado graciosamente até mim tenho a dívida de passa-lo adiante e assim mantê-lo vivo.


Portanto, é nesse contexto em que estou anunciando o curso de astrologia védica, e a palavra “passar” é apropriada pois pressupõe um caminho, ou canal por onde o conhecimento possa passar. E é isso que estou abrindo, uma trilha para alargar junto daqueles que comigo quiserem continuar o trajeto em direção a fonte.


Om Namah Shivaya!

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