DeS-propósito Cotidiano

Refletindo sobre aquilo que mobiliza nossa existência e como a vida cotidiana se desenrola, observei um fato meio obvio e corriqueiro, mas nem por isso menos intrigante...


É que, assim como nos primórdios da vida na Terra, até hoje o tempo gasto com atividades relacionadas a manutenção da vida é o que ocupa a maior parte nosso cotidiano! Claro que isso em parte é necessário, pois nos garante a sobrevivencia. A questão é que de cotidiano em cotidiano, a vida toda se transcorre...


Pense comigo: Qual seria o propósito de existir se, no final das contas, passamos a vida inteira com foco em comer, beber, transar (para ter filhos ou não), dormir e garantir um futuro melhor? Futuro melhor esse que, em geral significa um futuro com o mínimo de esforço e de preferência tendo quem o sirva (motivação, consciente ou inconsciente de muitos terem filhos). Sugiro por um instante deixar de lado o diagrama de Maslow e buscar tornar esse o SEU entendimento por reflexão ativa...


Então, achei isso tudo tão nu e cru ... triste até! É que, visto o potencial cognitivo, afetivo e a condição de alcançar a unidade com a consciência cósmica = a união com o Divino! (lembra, Jesus = somos todos filhos de Deus / sua imagem e semelhança; Buddha = sair do sofrimento; Yoga = Iliminação etc, etc, etc ...), me pareceu um desperdício incrível a principal motivação da vida humana estar tão presa os seus 5 sentidos, instintos e satisfação imediata.


Veja bem, não acho desmerecedor apreciar o mundo pelos 5 sentidos, se inspirar com arte, se apaixonar e construir uma relação saudável com o alimento, a sociedade, o meio ambiente, ou mesmo querer “evoluir”. Mas me debruço aqui um pouco sobre a motivação que temos por detrás das ações. Observe por um instante e de forma distanciada o dia-a-dia das pessoas ao redor do mundo. Fica evidente que, deixando de lado a questão de quanto, o quê e como, todos de fato põe praticamente toda sua energia em se alimentar, beber, transar e dormir em segurança; e o futuro melhor que buscam acaba sempre girando em torno de como fazer tudo isso “melhor” ou, sem tanto esforço.


Me pergunto: Por que essa realidade consome praticamente todo nosso cotidiano e permeia a consciência humana desde tempos imemoriais? Por que é considerado normal nos tornarmos cansados, frágeis e carentes de cuidados físicos e emocionais ao envelhecer? Será que não está evidente a ligação direta de causa e efeito entre essas questões? Será que não é precisamente o fato de passarmos a vida tão focados nessas atividades em detrimento de cultivar valores humanos o que nos causa sofrimento e uma profunda falta de significado e propósito?


Olhe ao seu redor ... olhe pra dentro de si ... É tão raro alguém se alimentar, de fato, da beleza intrínseca da natureza; almejar beber da Fonte de toda vida; buscar compreender o outro e o universo , ambos tão profundos e misteriosos; vivenciar o êxtase que é se tornar um com o outro e com a existência; encontrar prazer em manifestar plenamente nosso real potencial Humano e, finalmente, de forma genuína desinteressada servir ao próximo e a Deus.

Claro que não me refiro aqui ao Bla bla bla dos pregadores, dos carentes e iludidos nem dos hipócritas de plantão. Pois é fato que o egoísmo e a ignorância andam sempre de mãos dadas, e é preciso não se distrair com essas manifestações mais grosseiras e ir fundo em direção ao cerne do que NOS diz respeito.


Como estamos em relação ao cultivar e incorporar as virtudes humanas, tais como, a generosidade, honestidade, misericórdia, integridade e humildade? De forma coletiva os seres humanos elas estão tão obscurecidos pela ilusão de auto-importância, pseudo-humildade, sabedoria rasa, auto-conhecimento instantâneo, engajamento narcisista com as mais diversas causas do “bem”(dentre outros males modernos), que sua real essência e propósito se tornaram desconhecidos. Que “melhor” é esse em direção ao qual nos movemos e que vale uma vida inteira?

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